26.7.11

"Tenho esclerose múltipla mas não todos os dias"

A minha melhor amiga tem esclerose múltipla. (EM) 



Esta é uma doença que surge 20 e os 40 anos de idade, ou seja, entre os jovens adultos: ela descobriu quando tinha 25, há cerca de 5 anos atrás.

A EM é uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afecta o Sistema Nervoso Central. Como tem sintomas idênticos aos de outras patologias é difícil detectar a patologia. 


 Os sintomas que a minha amiga às vezes apresenta (existem outros):
- Uma fadiga extrema, está sempre cansada, o que, por vezes, se torna muito difícil para as pessoas em redor compreenderem, eu inclusive. Quando a convido para qualquer actividade fico sempre a pensar se não é demais para ela, se estou a insistir demais, se vai ficar frustrada por não ter energia para fazer alguma coisa. Ela também é um pouco mimada e às vezes é difícil saber o limite, se está só a fazer fita ou se não consegue mesmo, é preciso ajudá-la a não se resignar e a mexer-se um pouco.

 - inflamação do nervo óptico. Quando tem surtos, durante uns dias queixa-se de visão turva, embaciada.

-  Perda da força muscular nos braços e pernas, agora ainda ligeira mas que deverá aumentar com o tempo. Actualmente fica com partes do corpo dormentes...mas o maior receio, e com muitas probabilidades de acontecer, é de só se conseguir movimentar numa cadeira de rodas daqui a alguns anos.

-  tendência para infecções urinárias

- depressão, que surge frequentemente como uma reacção contra o facto de ter de aprender a lidar com a doença…e por vezes não se ser capaz... o que é compreensível.

Todos estes efeitos afectam totalmente a vida de uma pessoa, e não é fácil conseguir lidar com eles. Tenho esperança, e com a ajuda da família e dos amigos, que com o tempo acabará por aprender a lidar com estes efeitos e a tentar compensá-los de outra forma, realizando coisas de que ainda é capaz e descobrindo novas capacidades… mas sei que fica sempre à espreita a frustração do que não se consegue fazer.

Apesar das grandes pesquisas efectuadas, ainda não se sabe quais são as causas da EM e também não se sabe a cura. No entanto, actualmente existem já conhecimentos sobre a forma de lidar com a EM em surtos e vai havendo tratamentos experimentais que retardam a doença.

2 comentários:

mari disse...

deve ser horrível :/

Manuela disse...

Querida Krasiva, pelo menos foi detectada a tempo e agora com a medicação, os avanços científicos e uma cabeça resolvida, poderá ter uma razoável, qualidade de vida.