25.2.15

Palavras que nos separam entre 100km


Adaptado do Dicionário Leiriense/Português, deixo aqui alguns vocábulos também usados mais abaixo de Leiria, que fazem parte do meu vocabulário mas que o meu esposo, alfacinha de gema, desconhece. Este post é dedicado intereiramente a ele, para conseguir decifrar o meu discurso.


"afiadeira: Afia? Apara-lápis? Aguça? Nada disso. Aquele objecto que devolve o bico aos lápis chama-se afiadeira.

cachaporra: Se vos oferecerem uma malha de cachaporra, não aceitem com um sorriso agradecido. Não é oferenda, é mesmo ameaça, porrada no lombo, pancada, bordoada, traulitada.

castiço: A frase “É um tipo castiço” pode significar que o indivíduo em questão é curioso, idiossincrático ou simplesmente um gajo porreiro.

papo-seco: É de um tipo de pão. Em Lisboa chamam-lhe carcaça, mas aqui é papo-seco.

patusca: Cloche? Mas o que raio é uma cloche? Aquele objecto vintage que faz as vezes de um forno, tipo nave espacial em miniatura com uma pega em cima? Isso, minha gente, chama-se patusca. 

sapatilhas: Leiriense que se preze não calça ténis, mas sim sapatilhas. Claro que viajando 100 quilómetros para sul, se nos lembrarmos de dizer tal coisa o mais certo é dispararem-nos logo o olhar mortífero número 3 (com direito ao rótulo imediato de provinciano), ou então pensarem que estamos a falar de sabrinas, daquelas que se usam no ballet ou nas aulas de ginástica.

variar (tás a): Expressão que, numa conversa, tem como objectivo constatar a aparente alteração momentânea/súbita da sanidade mental do interlocutor. Quando usada em tom interrogativo serve para invectivá-lo, como quem diz: ‘Tás doido ou quê?’. "


Se bem que tenho mais umas dezenas que posso acrescentar a estas, e que muitas vezes fico na dúvida se são fruto da minha imaginação ou fruto do contexto familiar, ou se existem em bom Português.

Alguém diz "arrapar ossos" ou "arrapar o tacho"?
"Arrufada" é pão de deus em Lisboa, certo?




2 comentários:

Guilhim disse...

Sendo eu Conimbricense-Nazarena-Caramulense-Caramuleira falo o dialecto e reconheço (com orgulho) todos os vocábulos!

Catarina disse...

Portugal, sendo um pais tão pequenino em tamanho, consegue ser enoooorme em diferenças e diversidade.
Reconheço as expressões, porque vivendo entre Viseu e Coimbra, há semelhanças nas expressões. A patusca é objecto da minha infância e adolescência. Penso que a minha mãe ainda lá tem uma, que usava para fazer bolos e frango assado (não ao mesmo tempo, claro)
Beijinhos