3.6.15

Amigos

Este poema é tão bonito que tenho de partilhar.


"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que
permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que
tivessem morrido todos os meus amores,
mas
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ... 
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 
Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso
lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
 

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
 

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não
tem noção de como me são necessários,
de como são
indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles
fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda
furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo
comigo, todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só
desconfiam - ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os."
 
Vinicius de Moraes   

2.4.15

Março - ponto de situação



A falta de tempo e o cansaço têm-me impedido de vir aqui dar um ar da minha graça. No entanto, pelo menos tinha que vir fazer um breve resumo do mês de Março para memória futura.
Assim sendo e tentando cumprir alguns dos objetivos definidos no início do ano,

- Passear em família (e/ou amigos) ou a trabalho, quando dá para aproveitar um bocadinho:

Centro EVOA – Vila Franca de Xira – Lezíria do Tejo

Pic nic na Arrábida – Portinho da Arrábida

Minde

Sintra: Praia Grande, Cabo da Roca e Palácio da Vila
Azeitão: caves José Maria da Fonseca  e tortas (fui mesmo fã destas últimas)



- Leituras: Comecei 2 livros e não acabei nenhum e já os entreguei na biblioteca: O Retrato da Mãe de Hitler e Os Transparentes.

- Fazer voluntariado. Fui a umas reuniões da Associação de que faço parte e contribui com umas ideias, fui assinado contrato para nova sede.

- Investigar mais alguma coisa da minha árvore genealógica. Não investiguei parentes propriamente mas fui à terra da minha mãe e dos meus avós maternos (Casével)  e tirei fotos às casas onde viveram. 

-  Fazer mais elogios às pessoas de que gosto. Ando a tentar, fiz um workshop de liderança positiva e ando a ler um livro também sobre parentalidade positiva. Haja positividade!

-  Escreve no blog pelo menos uma vez por semana. NOT

- Rir e amar muito. SEMPRE

- Outros apontamentos: Filhota teve uma semana doente. Foi o Dia no Pai e no infantário tivemos direito a teatro de fantoches e a desenho de um peixe (e o seu processo artístico).

3.3.15

Fevereiro em imagens # 2

O que comi...

Queijadas de Sintra: descobri que a melhores são as da SAPA (perto dos Paços do Concelho de Sintra).




Panquecas americanas: Fui ao 50's no Parque das Nações...andava com desejo de comida americana... mas ainda não foi verdadeiramente satisfeito

Hamburguer de feijão preto: Não tirei foto mas era muito bom. Restaurante O Navio, na Praia de Santa Cruz

Hamburguer em bolo de caco: no mercado de fusão no Martim Moniz, um dos melhores hamburguer que tenho comido.

Pizza: na Cappriciosa em Cascais com vista para o mar :)

2.3.15

Fevereiro em imagens#1

Por onde andei...
Castelo de Palmela: uma agradável surpresa

Leiria: redescobri o centro histórico


Lisboa, Martim Moniz: O ano novo chinês, ou “Festa da Primavera”, a data mais importante para os chineses, foi festejado na Praça do Martim Moniz, no dia 21 de fevereiro. Muito giro, comunidade super organizada. Até me comovi com uma rapariga chinesa a cantar um fado da Mariza.

Quinta do Mocho, Loures: uma nova perspetiva de olhar os bairro sociais. Projeto de arte urbana "O Bairro i o Mundo"


Coimbra: Biblioteca Joanina. Muito bonita mas com um bilhete excessivamente caro, pelo preço devia pelo menos haver uma visita guiada.

Odemira: com uma breve paragem na Zambujeira e Vila Nova de Milfontes

25.2.15

Palavras que nos separam entre 100km


Adaptado do Dicionário Leiriense/Português, deixo aqui alguns vocábulos também usados mais abaixo de Leiria, que fazem parte do meu vocabulário mas que o meu esposo, alfacinha de gema, desconhece. Este post é dedicado intereiramente a ele, para conseguir decifrar o meu discurso.


"afiadeira: Afia? Apara-lápis? Aguça? Nada disso. Aquele objecto que devolve o bico aos lápis chama-se afiadeira.

cachaporra: Se vos oferecerem uma malha de cachaporra, não aceitem com um sorriso agradecido. Não é oferenda, é mesmo ameaça, porrada no lombo, pancada, bordoada, traulitada.

castiço: A frase “É um tipo castiço” pode significar que o indivíduo em questão é curioso, idiossincrático ou simplesmente um gajo porreiro.

papo-seco: É de um tipo de pão. Em Lisboa chamam-lhe carcaça, mas aqui é papo-seco.

patusca: Cloche? Mas o que raio é uma cloche? Aquele objecto vintage que faz as vezes de um forno, tipo nave espacial em miniatura com uma pega em cima? Isso, minha gente, chama-se patusca. 

sapatilhas: Leiriense que se preze não calça ténis, mas sim sapatilhas. Claro que viajando 100 quilómetros para sul, se nos lembrarmos de dizer tal coisa o mais certo é dispararem-nos logo o olhar mortífero número 3 (com direito ao rótulo imediato de provinciano), ou então pensarem que estamos a falar de sabrinas, daquelas que se usam no ballet ou nas aulas de ginástica.

variar (tás a): Expressão que, numa conversa, tem como objectivo constatar a aparente alteração momentânea/súbita da sanidade mental do interlocutor. Quando usada em tom interrogativo serve para invectivá-lo, como quem diz: ‘Tás doido ou quê?’. "


Se bem que tenho mais umas dezenas que posso acrescentar a estas, e que muitas vezes fico na dúvida se são fruto da minha imaginação ou fruto do contexto familiar, ou se existem em bom Português.

Alguém diz "arrapar ossos" ou "arrapar o tacho"?
"Arrufada" é pão de deus em Lisboa, certo?




24.2.15

Óscares ativistas



Como não só de vestidos vive a Humanidade, este ano os Óscares tiveram uma forte vertente ativista e foram vários os assuntos tratados:

- Igualdade de salários entre sexos - Patricia Arquette
- Privacidade e democracia - no âmbito do documentário sobre o Snowden
- Igualdade de direitos, discriminação - John Legend
- Imigração - Alejandro Gonzalez Inarritu
- Direitos sexuais, suicídio, direito à diferença.  - Graham Moore

O momento do Graham Moore foi o que mais me tocou, dado que relacionou a sua história com a o Turing (filme O jogo da Imitação), partilhando que se tentou suicidar aos 16 anos. Dedicou a sua vitória aos miudos que se sentem estranhos, diferentes dos outros, que não se encaixam em lado nenhum e acaba por
exortar todos a essa condição de "ser diferente".

Choca-me muito em pleno século XXI, no mundo ocidental, que todas estas questões sejam ainda pertinentes. Que ainda não se tenha chegado a um patamar civilizacional que garanta os direitos iguais para todos, ao mesmo tempo que se valoriza a diversidade. 

Como diz o Boaventura sousa Santos:
“Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. Temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. As pessoas querem ser iguais, mas querem respeitadas suas diferenças. Ou seja, querem participar, mas querem também que suas diferenças sejam reconhecidas e respeitadas.”