Um dos programas televisivos que mais gosto actualmente, e que por acaso acho que hoje dá precisamente o último episódio- é o programa da RTP "Quem é que tu pensas que és".
Em cada episódio, uma personalidade diferente enceta uma
intensa pesquisa sobre as suas origens e histórias familiares, com a construção e análise da sua árvore genealógica, que vamos acompanhando ao longo do programa. Simultaneamente vamos conhecendo a época em que viveram os antepassados destes "famosos" mas também recebendo pistas para conhecermos o nosso próprio
passado.
Por exemplo, descobri que alguns arquivos distritais têm alguns documentos digitalizados e
online (pena que não tenham os que preciso para investigar a minha própria família - Minde, Casével).
Sempre gostei deste tipo de coisas, histórias familiares e afins. No final do ano passado, devido ao lema deste blogue (
escrever porque sou esquecida) resolvi começar a fazer um livro com a história da minha família. No Natal, andei a chatear os meus familiares para me darem dados, factos e mitos dos antepassados da família. Só é pena que não tenha começado há mais tempo, uma vez que a geração dos meus avós já morreu, e com ela morreram a maioria das histórias.
Um dia, quando tiver tempo e dinheiro, vou procurar as certidões de nascimento, casamento e óbito. Entretanto vou insistindo com os vivos para me darem pormenores.
É muito giro perceber as épocas, os contextos, as profissões, as tragédias (ex: o meu tio-avô, casado, andava enrolado com a criada; quando ela quis acabar com o
affair, matou-a e suicidou-se em seguida), os dramas (pela primeira vez ouvi falar numa trisavó que se chamava Martha, que teve um filho aos 25 anos, e depois voltou a engravidar aos 48 e aos 50 anos - que só por si é um feito - mas que apenas por isso o filho primogénito cortou laços com a família), as alcunhas, as peculiaridades ( um trisavô, que tinha a alcunha de "Rimaleiro", usava samarra no Inverno mas também no Verão, dizia que guardava o frio e o calor), etc.
É bom ter asas...mas também é bom ter raízes, conhecer a nossa história, em que nossa identidade em parte se baseia.
“Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”, diz um provérbio.
Precisamos das raízes: existe um lugar no mundo onde nascemos,
aprendemos uma língua, descobrimos como nossos antepassados superavam
seus problemas. Em um dado momento, passamos a ser responsáveis por este
lugar.
Precisamos das asas. Elas nos mostram os horizontes sem
fim da imaginação, nos levam até nossos sonhos, nos conduzem a lugares
distantes. São as asas que nos permitem conhecer as raízes de nossos
semelhantes, e aprender com eles.
Bendito quem tem asas e raízes; e pobre de quem tem apenas um dos dois." Paulo Coelho