A morte na cidade e no campo...


Sempre achei que há coisas que são vividas de maneira diferente por pessoas da cidade e por pessoas de sítios mais pequenos. Uma delas é a morte. Ontem morreu o avô da minha melhor amiga e ela estava a dizer que era o primeiro funeral a que teria de ir. Já lhe morreram as outras duas avós e ela não foi ao funeral de nenhuma, apesar de, no caso de uma, ela ter tratado de tudo (desde a escolha do caixão à burocracia) dado que foi de repente e os pais estavam no estrangeiro. No entanto, tenho mais amigas de Lisboa que não vão aos funerais dos familiares. Não estou a criticar, mas para mim era impensável não ir ao funeral de alguém familiar/amigo ou até às vezes conhecido.

Em aldeias e vilas acho que a morte é encarada como algo mais natural, porque desde pequenos estamos habituados a ela. Eu vou a funerais desde pequena... até porque o funeral num sítio menos povoado acaba por ser um acontecimento, toda a gente praticamente se conhece, vai quase toda a terra. Lembro-me de andar a brincar na rua em criança com os meus amigos, vivia relativamente perto da igreja e do cemitério, se víamos passar um funeral, claro que íamos para lá. Por outro lado, se não fosse a um funeral de um familiar, acho que o resto da família me deixava de falar no mínimo. No entanto, mais que isso, faz-me um bocado confusão não acompanhar a pessoa na última hora, afinal é uma última homenagem, é como se se provocasse solidão no morto, morrer desacompanhado. Não sei, é a sensação que tenho.

Comentários

Anónimo disse…
Concordo completamente! Para mim também era impensável não ir ao funeral de um familiar mas não critico quem não vai.
Não vivo exactamente numa aldeia mas tb não é um meio mt grande pelo que acaba por aparecer muita gente nos funerais que se calhar nem tinha grande ligação com o morto.
Acho bom as crianças saberem que a morte faz parte da vida.

Kiss kiss
Mami ( Sónia ) disse…
Concordo contigo. Faz-me confusão como é que alguém não se vai despedir de um avô ou de qualquer outra pessoa que tenha sido importante na nossa vida.
Não gosto de ir a funerais mas faz parte da vida,prestamos o nossos respeito quanto mais não seja à família.
JS disse…
Apesar de concordar contigo, confesso que já deixei de ir a um funeral de uma pessoa muito próxima. Depois foi invadida por uma espécie de arrependimento, aquela era a sua ultima caminhada e era o ultimo lugar que a podia acompanhar...
Também não fui ao funeral de um dos meus avôs, porque eu estava no estrangeiro. Senti-me muito mal, acho que até fez-me falta para poder inciar o luto.

Na aldeia onde nasci e onde vivem os meus pais, a morte/funerais também são vistos da mesma forma que descreveste.

Quando morre alguém os sinos tocam, e esse toque funebre é das coisas que mais me impressionam apesar de o conhecer desde pequena. (Talvez porque eu não lido bem com a morte)
Manuela disse…
Krasiva, tens razão, as pessoas no campo lidam muito melhor com a morte e os funerais, pois tal como dizes é um acontecimento, mais ou menos, partilhado por todos.
Beijinhos
Anabela disse…
Olá,
De facto tens razão. A minha avó faleceu à dois anos e eu estava doente. Como o Gustavo era pequeno, eu estive lá na véspera, naquilo a que chamamos velório, mas no dia do funeral mesmo eu fiquei de cama com o Gustavo.
Apesar de estar doente, hoje arrependo-me de não ter ido e nos dias seguintes só sonhava com aquilo.
Bjs
Ana disse…
Olá!
Tens razão as pessoas no campo lidam com a morte de outra maneira. Eu (não sei se foi de ter que lidar com a morte muito cedo;a minha mãe morreu quando eu tinha 7 anos) só vou a funerais estritamente necessários, como alguém da familia ou muito chegado, admito que não gosto, e aqui as pessoas têm mais tendência em ir para os funerais para falar na vida dos outros
beijinhos

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